A queda recente na cotação da ação POMO4 (Marcopolo S.A.) está fortemente ligada à divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25) da companhia.

As ações da Marcopolo (POMO4) tiveram uma queda significativa logo após a divulgação do balanço, por volta de 31 de outubro de 2025, e continuaram sob pressão nas sessões seguintes, como no início de novembro.

📉 Principais Fatores para a Queda da POMO4:

  1. Receita Abaixo do Esperado (Frustração de Expectativas):
    • Embora a empresa tenha apresentado alguns resultados operacionais sólidos, a receita líquida divulgada no 3T25 ficou abaixo das expectativas do mercado e das projeções de bancos de investimento.
    • Isso gerou preocupações entre os investidores sobre uma possível desaceleração do ciclo de vendas e do crescimento futuro.
  2. Sinais de Desaceleração no Mercado Doméstico:
    • O balanço indicou volumes mais fracos em segmentos importantes do mercado brasileiro, como o rodoviário e o de micro-ônibus (Volare), que caíram em relação ao ano anterior.
  3. Lucro Líquido:
    • Embora a empresa tenha reportado lucro líquido, ele também ficou levemente abaixo das projeções de alguns analistas, sendo impactado por ajustes (como um impairment na unidade NFI).

💡 Visão de Analistas (Contraponto)

Apesar da reação negativa do mercado no curto prazo, que levou à queda, muitos analistas mantiveram a recomendação de compra (ou outperform) para a POMO4, destacando:

  • Valuation Atrativo: Após a queda, o preço da ação passou a ser negociado a múltiplos (como Preço sobre Lucro – P/L) considerados atrativos.
  • Força nas Exportações: O desempenho das vendas internacionais continua sendo um ponto forte e lucrativo.
  • Catalisadores Futuros: O potencial de valorização é sustentado por fatores como a continuidade de programas governamentais (ex: Caminho da Escola) e a recuperação econômica.

Em resumo, a queda recente foi motivada principalmente pela receita frustrada e pelos sinais de desaceleração da demanda doméstica no relatório do 3T25, mesmo que a visão de longo prazo de muitas casas de análise permaneça positiva.

A Marcopolo (POMO4) é a líder inconteste no mercado brasileiro de carrocerias de ônibus, o que torna a comparação direta com concorrentes listados em bolsa um desafio, pois não há uma empresa de capital aberto com foco e escala idênticos.

No entanto, a Marcopolo é frequentemente comparada com outras empresas do setor de Bens de Capital e Material Rodoviário, como Randon (RAPT4), Frasle (FRAS3), e, em menor grau, com a TUPY3 (fundição), ou até mesmo com empresas de maior porte como a WEG (WEGE3) e EMBR3 (Embraer), para avaliar o desempenho em métricas financeiras.

Com base nos resultados do 3º Trimestre de 2025 (3T25) e na análise setorial, podemos fazer as seguintes comparações de desempenho:

📊 Comparativo Marcopolo (POMO4) vs. Setor (3T25)

A comparação da Marcopolo deve ser dividida em desempenho operacional (volume, market share) e desempenho financeiro (margens e valuation).

1. Desempenho Operacional (Market Share e Volume)

MétricaMarcopolo (POMO4) no 3T25Setor Brasileiro (Fabus) no 3T25Conclusão
Market Share (Brasil)48,7% (Líder)A Marcopolo reforçou sua liderança, mostrando que, apesar dos desafios, domina o mercado.
Produção TotalEstável (-0,1%)Queda de 2,2%A Marcopolo teve um desempenho relativamente melhor que o setor como um todo, conseguindo manter seu volume de produção, enquanto a indústria reduziu.
ExportaçõesForte crescimento (+31,0% no setor)+31,0% vs. 3T24 (na indústria)O desempenho da Marcopolo nas exportações e operações internacionais foi um grande pilar do crescimento de receita no trimestre, compensando a fraqueza doméstica.
Mercado Interno (Volume)Queda de volumes (Rodoviários, Volare)Queda de 6,6% na produção para o mercado internoA queda de volumes no Brasil foi uma tendência setorial, mas a da Marcopolo gerou frustração por ser mais acentuada em alguns segmentos.

Conclusão Operacional: A Marcopolo manteve sua posição de liderança e market share, e o seu desempenho foi mais resiliente que o da indústria em geral, com o crescimento das exportações atuando como forte amortecedor contra a desaceleração doméstica.

2. Desempenho Financeiro (Comparação de Múltiplos)

Aqui, comparamos a Marcopolo com a média de seus pares no setor de Bens de Capital e Material Rodoviário (ex: Randon, Frasle, Tupy), usando dados de valuation do período.

Indicador FinanceiroPOMO4 (Atual/Pós-3T25)Média dos Pares do Setor¹Comparação
Relação P/L (Preço/Lucro)$\approx 6,0x$$\approx 8,9x$A POMO4 negocia com desconto em relação aos seus pares, indicando que a ação está mais barata por real de lucro.
P/VP (Preço/Valor Patrimonial)$\approx 1,6x$$\approx 1,1x$A POMO4 negocia com prêmio em relação ao seu valor patrimonial. Isso é comum para empresas de alta qualidade com altos retornos.
ROE (Retorno sobre o Patrimônio)$> 30\%$$\approx 23\%$A Marcopolo demonstra uma eficiência superior na geração de lucro a partir de seu patrimônio líquido.
Dividend Yield (DY)Alto (cerca de $8\%-11\%$ projetado)Varia muito, mas geralmente abaixo.A Marcopolo tende a ter um dos maiores rendimentos de dividendos entre os pares de Bens de Capital.

¹ Os valores médios são aproximações baseadas em relatórios de análise de mercado recentes.

Conclusão Financeira:

Enquanto a queda das ações foi uma reação a uma frustração de curto prazo na receita, o desempenho da Marcopolo em métricas de rentabilidade (ROE, Margens) e valuation (P/L) sugere que ela continua sendo uma empresa de qualidade superior no seu nichor.

Muitos analistas de mercado, mesmo após o balanço do 3T25 e a subsequente queda, mantiveram a Marcopolo como a Top Pick (melhor escolha) dentro do setor de Bens de Capital, reforçando a crença de que a fraqueza doméstica é momentânea e que os fundamentos da empresa (exportações, gestão, ROE) são robustos.

📊 Comparativo Marcopolo (POMO4) vs. Randon (RAPT4) no 3T25

IndicadorMarcopolo (POMO4)Randoncorp (RAPT4)Comparação
Lucro LíquidoR$ 329,6 milhões (queda de -1,8% A/A)R$ 23,1 milhões (queda de -81% A/A)A Randon teve uma queda de lucro muito mais abrupta e significativa que a Marcopolo, indicando maior vulnerabilidade ao cenário.
Receita LíquidaR$ 2,51 bilhões (alta de +8,2% A/A)R$ 3,4 bilhões (alta de +9,9% A/A)Ambas tiveram crescimento de receita, mas o crescimento da Randon foi impulsionado por aquisições recentes, que adicionaram R$ 463 milhões ao faturamento. A Marcopolo cresceu mais organicamente via exportações.
Margem EBITDA Ajustada$\approx 16,8\%$ (considerando ajustes)$\approx 13,9\%$A Marcopolo demonstrou uma rentabilidade superior e mais resistente à pressão do mercado.
Fator Pressionador PrincipalReceita abaixo da expectativa do mercado e provisão (impairment NFI).Retração nas vendas de caminhões e implementos rodoviários no Brasil, além de custos de financiamento mais altos (juros elevados).
Operações ExternasForte crescimento de Exportações (+43,0% na receita).Receitas internacionais aquém das projeções (abaixo da faixa de US$800-850 milhões).

Conclusão do Comparativo

A análise mostra que:

  1. POMO4 foi mais Resiliente na Rentabilidade: A Marcopolo conseguiu manter seu lucro líquido praticamente estável (com queda marginal de 1,8%) e margens saudáveis, principalmente por conta da força de suas exportações e operações internacionais.
  2. RAPT4 Sentiu o Macro: A Randoncorp sentiu o impacto do ambiente macroeconômico de forma muito mais severa no 3T25, com o lucro despencando 81% devido à retração do mercado de caminhões pesados e ao custo elevado do crédito.
  3. Diferença de Setor: A Marcopolo, focada em ônibus, foi parcialmente amortecida por programas governamentais (como o Caminho da Escola) e pela renovação natural de frotas urbanas e rodoviárias em países estratégicos, o que foi menos sentido pela Randon, que é mais exposta ao ciclo de implementos para caminhões e ao agronegócio/logística pesada.

Em suma, o desempenho da Marcopolo no 3T25, embora tenha decepcionado o mercado em relação às expectativas elevadas de receita (o que causou a queda da ação), foi significativamente melhor em termos de rentabilidade e resiliência quando comparado a um par direto como a Randoncorp, que reportou uma severa queda no lucro.